Um Especial Ministério na Igreja

Posted By: admin on Ago 23, 2011 in Formação
Estado do Vaticano

Vimos neste Domingo uma continuidade maravilhosa da liturgia. No Domingo passado apareceu-nos como que uma profecia da Igreja quando o Senhor nos dizia que: “… a minha casa é casa de oração, e assim será para todos os povos.” (Is 56,7) Na mulher cananeia, vemos a prefiguração desta mesma Igreja formada por todos os povos da terra.

Já o Evangelho de Domingo trouxe-nos o aprofundamento de uma importante característica desta verdadeira Igreja de Cristo: o ministério de São Pedro. A Divina Providência escolheu um lugar muito belo para esta revelação. Trata-se de Cesaréia de Filipe, que é um lugarejo que fica nas proximidades da nascente do rio Jordão. O rio Jordão é muito especial, pois “nasce do alto”. Geralmente um rio nasce da água que abunda no subsolo e que, em determinado local, vem à tona numa nascente como é o caso dos “Olhos da Fervença” aqui bem pertinho de nós. Já o rio Jordão é fruto do degelo da neve que está sobre o Monte Hermon, que é o monte mais alto de Israel. Esta água penetra no solo e sai no sopé da montanha. Jesus escolheu este lugar para manifestar a missão especial que Ele reservara ao Apóstolo Pedro com relação à Igreja, como que dizendo que ela vinha do Alto e não simplesmente de uma iniciativa humana.

A respeito disso o próprio Jesus disse a Pedro: “És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.” (Mt 16,17-18) Assim como o rio Jordão “nasce do alto” também a Igreja nasce de um projecto do coração do Pai. Outro modo que o rio Jordão pode ser uma Imagem da Igreja é que ele, como uma calha, congrega como afluentes, quase todos os riachos daquele local. Assim também é vontade de Deus que a Igreja católica seja sinal eficaz da unidade de todo o género humano. Sobre isso disse o Senhor: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor”.(Jo 10,16) O ministério de Pedro e de seus sucessores, na pessoa do Papa tem o dever de estar a serviço desta unidade: “um só rebanho e um só pastor”.

Um dos nossos padres palotinos, bastante actuante, na época, na área do ecumenismo (unidade das Igrejas) falou-nos, certa vez, da admiração desta unidade por parte de um pastor protestante, mais ou menos nestes termos: -“Sabes, vocês católicos têm algo de muito bom: O Papa. Quando um pastor da minha Igreja não concorda com o que o outro pensa, simplesmente ele funda uma nova Igreja com outra denominação. Vocês têm o Papa como fonte de unidade.” No fundo foi o que São Paulo fez, quando depois de vários anos de ministério, foi ter com os principais da Igreja – Pedro, Tiago e João – para não correr o risco de ter corrido em vão, ou seja, errar, por causa de sua fraqueza humana, no conteúdo da fé ensinada.

Diz ele na Carta aos Gálatas: “A seguir, catorze anos depois, subi outra vez a Jerusalém, com Barnabé, levando comigo também Tito. Mas subi devido a uma revelação. E pus à apreciação deles – e, em privado, à dos mais considerados – o Evangelho que prego entre os gentios, não esteja eu a correr ou tenha corrido em vão” (Gl 2,1-2). Se o próprio grande Apóstolo Paulo quis conferir o que ele pensava com o que a Igreja de Jerusalém ensinava, não seria um grandíssimo orgulho, pessoas que acham que a sua opinião acerca de fé e de moral é melhor do que a que o santo Padre ensina?

As Chaves do Reino de Deus, que todos os Apóstolos receberam em conjunto –“Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos» (Jo 20,22-23) – Pedro recebeu de forma pessoal: “Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu (Mt 16, 18-19). Isto para mostrar que o que todos os outros Apóstolos receberam, deveriam exercê-lo em comunhão e obediência àquele que foi colocado por Cristo como fundamento da unidade visível de sua Igreja, ou como dizia Santo Irineu de Lion: “aquele que preside à caridade”. Os Evangelhos não escondem, a par desta grande dignidade, as fraquezas humanas do Apóstolo Pedro.

Assim entendemos as palavras do nosso actual Papa, logo que assumiu o seu ministério: “Me consola saber que o Senhor sabe trabalhar e agir mesmo com instrumentos insuficientes e, acima de tudo, me confio às vossas orações.” Não é à “toa” que a Igreja tem em grande consideração a oração segundo as intenções do Santo Padre, associando algumas indulgências a estas orações. Façamos o propósito de, muitas vezes, rezarmos nas suas intenções, e assim, participar mais fortemente a comunhão da Igreja que é Universal.

Padre Marcelo Magalhães

Pároco de Febres, em Coimbra

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