Silêncio e Espera

Posted By: admin on Jul 06, 2011 in Formação
calar

Falar sobre o ‘silêncio’ é antes silenciar, é colher na quietude da alma o sussurro de Deus. Mas é quando se faz junção entre o silêncio e a espera que se começa a ver, sem véu, sem mistério a realidade talvez antes confusa. O Cardeal Tarcisio Bertone faz uma bela afirmação a este respeito no livro – A ultima vidente de Fátima ao dizer: “Só no silêncio absoluto se começa a ouvir e só quando a linguagem desaparece é que se começa a ver.”

Nestes dias tenho silenciado um pouco, talvez menos do que devo, mas, certamente, já é um silêncio proveitoso. Ao viajar em missão e, portanto sem apresentar os programas diários na Rádio, tenho experimentado um misto de quietude e reencontro com Deus, com pessoas queridas e comigo mesma. Deus tem uma forma sempre nova de me visitar a cada tempo.

Já ouvi dizer que viver bem o momento presente com tudo o que ele implica, é o caminho mais simples e mais seguro para se chegar à santidade e, portanto à felicidade. Concordo com a afirmação, mas como saber o tempo certo para cada acção, inclusive silenciar e esperar?

Digamos que mediante a correria do dia-a-dia, faltam ocasiões para pensar na resposta e entre um desafio e outro vamos levando a vida a correr contra ou a favor do tempo.

Recordo-me da passagem bíblica Eclesiástes 3, que nos diz : “Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu… E ainda: “Todas as coisas que Deus fez, são boas a seu tempo…” A própria natureza ensina que cada coisa é boa no seu tempo. Constatamos isto, quando analisarmos algumas situações vividas em épocas passadas…É fácil verificarmos que foi bom naquele momento, mas talvez hoje já não fosse. É que, para cada momento existe uma graça especial… Fora da graça, nada tem sentido.

Tenho compreendido que grande sabedoria é viver bem o presente. Os sábios da história ensinam que esta é uma trilha segura que nos leva a Deus. O desafio continua a ser descobrir o tempo certo para cada coisa, e agir de acordo com esse tempo. Sei que este enigma não é só meu e acredito que chegamos mais próximos de uma resposta quando deixamos os nossos projectos e abraçamos os de Deus, fazendo do seu tempo o nosso e vivendo cada momento como se fosse: o primeiro, o último e o único momento.

Ao agirmos assim, não fazemos nada por um acaso e cada palavra, cada gesto, telefonema, decisão… Por simples que sejam, passam a ser a coisa mais importante da nossa vida.

Ao falar-se de tempo é preciso saber respeitar a sua passagem, compreender os seus segredos e guardar os seus ensinamentos sem deixar de vive-lo. Sabemos que o tempo trabalha a nosso favor ou contra nós, dependendo da maneira como o utilizamos. Então valorizemos o nosso tempo dividindo-o com quem espera de nós um sorriso, uma abraço, um ombro amigo, um gesto de amor. E vivamos melhor cada dia da nossa vida.

Sempre que estou irritada e sem tempo, quando parece não existir horas suficientes num só dia para fazer tudo o que desejo, então compreendo que é preciso parar um pouco e rever a maneira como estou a passar os meus dias. Geralmente nestes momentos, reencontro o Senhor do tempo e da história que me orienta e refaz.

Parar quando se faz necessário, é questão de respeito e amor à nossa própria vida. Muitas vezes se não paramos, Deus por amor para-nos. Compreender esta pedagogia e ser dócil é de grande sabedoria. Se ao ler sobre “silencio e espera”, percebe que é tempo de parar, tenha a coragem de dar este passo.

Aprendi que o silêncio e a espera em Deus trazem o poder de nos transformar naquilo que devemos ser.

 

Estamos juntos!

Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova em Portugal

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