São José, modelo de fidelidade

Posted By: Clube on Mar 16, 2016 in Formação
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São José, apresenta-se a nós, pelo testemunho do Evangelho e pela escolha que Deus fez dele para Esposo de Maria e pai adoptivo de Jesus, como modelo de fidelidade a imitar. Olhar este santo, a sua vida, a sua vocação, a sua missão, contemplar a sua fidelidade e a sua resposta ao amor de Deus, é algo que nos deve fazer admirá-lo, e desejar imitá-lo.

Homem do silêncio que sabe escutar a Deus e a sua palavra, que o coloca numa atitude humilde, pois no Evangelho nunca aparece nenhuma palavra dita por São José, nem em sonhos com os anjos, nem na perda e encontro do Menino no Templo, pois é Nossa Senhora que fala, nem numa oração dita por ele. Silêncio de intimidade com Deus, silêncio de recolhimento, silêncio que é um modo de escutar o Senhor. Silêncio de trabalhador contemplativo na vida quotidiana. Num mundo de ruído exterior, de barulho e algazarra, de dispersão interior, onde a “imaginação” é a louca da casa, precisamos de silêncio, precisamos de aprender a fazer deserto para nos encontrarmos mais com Deus e nos encontrarmos connosco próprios. Deus só se ouve no silêncio. Ele fala sem elevar a voz. Precisamos de fazer deserto em casa, na cidade, na fábrica, na escola, etc. São José é modelo de pessoa recolhida em Deus, de silêncio que recolhe a alma e o coração. Quanto temos de aprender!!!

Homem de oração que se une a Deus, que procura diálogo intenso com o Senhor, que reza na família de Nazaré, que tenta descobrir e discernir a vontade de Deus, que medita as Escrituras, que reza salmos, que interioriza a sua vocação e missão. Na oração se une Àquele que o escolheu e busca sempre fazer a sua santa vontade. Elevações dum coração puro e simples, bom e delicado, sempre centrado em Deus. Na Igreja, de quem S. José, é protector, nas famílias onde ele deve ser amado e seguido, há pouca oração. Reza-se pouco e mal. O nosso São José pode ajudar-nos a viver mais em oração, em ter um espírito orante, a rezar em comunidade e em família. Sem oração não cresce a fé, não aumenta a esperança, não arde no coração a verdadeira caridade. Sem oração não há mais vocação, não há fortaleza para vencer tentações e levar a cruz de cada dia.

Homem de fé como Abraão, que acredita contra toda a esperança, que adere aos planos de Deus, que na fé aceita a vontade do Senhor, que aceita os projectos divinos, mesmo os mais difíceis e desconcertantes, como a aceitação de receber a Virgem como Esposa ou de ter que aceitar o nascimento do Menino num presépio. Ou a necessidade de fugir para o Egipto. Na fé viva e eloquente S. José sabe dizer “sim”, um sim pleno a Deus e à sua vontade. Fá-lo de um modo decidido e radical. Sua vida é estímulo e exemplo para cada um de nós, na total disponibilidade de coração, aceitar a vontade do Pai. São José é modelo a preparar e viver com intensidade o Ano da Fé que o Papa Bento XVI proclamou e que começa a 11 de Outubro, o dia em que há 50 anos teve início o Concílio Vaticano II. Precisamos de pedir pelos que não crêem para que Deus os encaminha para a Verdade da Fé.

Homem trabalhador com o ofício de carpinteiro, São José é modelo e estímulo para todos os que trabalham, oferecendo seu trabalho e cansaço unidos a Jesus, unido ao amor do Criador, para ajudar a humanidade a crescer, a desenvolver-se. Trabalho feito com coração cristão e de olhos postos em Deus e, de possível, com o coração em oração. É o segredo dos místicos, daqueles, como S. José, de coração em Deus, de alma unida ao Senhor, dão ao trabalho uma dimensão de oferta para colaborar na redenção, na salvação de todos, na redenção do mundo. Foi assim o modo de São José viver a faina quotidiana, para sustentar a família e colaborar com Deus Criador. Que pena que haja hoje milhões de pessoas sem emprego, milhões sem um ordenado justo, milhões que não sabem dignificar o seu trabalho, milhões que ganham fortunas na fraude, na droga, na exploração e na injustiça.

Homem casto virgem que tem com a Virgem Maria um relacionamento puro, assumindo a vocação e missão que o Senhor concedeu a Maria, sendo Mãe do Verbo encarnado, aceitando na virgindade ser Mãe do próprio Deus. José integra esta missão, depois de algumas dificuldades que Deus remediou através do anjo que lhe falou em sonhos e o convidou a aceitar Maria como Esposa sempre Virgem. Num mundo onde parece que muitos perderam a noção do pudor, do valor da castidade, da grandeza da virgindade, onde abunda a promiscuidade, a falta de respeito pela dignidade do corpo que é sagrado, onde tantas vezes impera o erótico e o pornográfico, um Homem e um Santo como São José, é convite a mudar de critérios e de modo de viver.

 

dario_pedroso_francisco_martins_passo_a_rezar_2010_02_17_900x598  Padre Dario Pedroso, SJ

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