O Presépio…

Posted By: admin on Dez 17, 2013 in Formação
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Nos tempos da infância, um dos trabalhos que mais me fascinava era a construção do presépio. Tudo muito ecológico: cabana tosca e de paus entrelaçados, sem pregos ou parafusos, heras a trepar por todo o lado, cenas da vida campestre com pastores e rebanhos, simulação de lagos com restos de espelho… Mas, acima de tudo, dominava o verde onde o musgo era a matéria-prima por excelência, enquanto os caminhos eram traçados com serradura. Na cabana lá estava sempre o menino Jesus, rosado e bem disposto, sob o olhar contemplativo de Maria e José. Como a cabana era pequena, os pastores vinham sempre a caminho, enquanto os reis magos iniciavam a viagem no ponto oposto à gruta de Belém.

Agora os presépios, em geral, são bem mais sofisticados com a introdução de novas tecnologias, uma manjedoura mais apurada e os personagens mais em consonância com o relato bíblico.

De qualquer forma, o presépio não é mais que a recordação plástica do grande acontecimento da Salvação. Depois de muito tempo à procura de um lugar para descansar, por motivo do recenseamento de toda a Galileia, José e Maria tiveram que pernoitar numa gruta ou cabana nas imediações de Belém. De acordo com o evangelista S. Lucas, Jesus nasceu numa manjedoura destinada a animais e foi reconhecido por gente simples (pastores), e por outros mais sábios e porventura endinheirados (os reis magos). De acordo com a história tudo terá acontecido no tempo do Rei Herodes e sob o domínio do Império Romano.

Este acontecimento histório-bíblico-salvífico foi depois concretizado plasticamente por São Francisco de Assis, através de um presépio que ele modelou com peças de argila, por volta do ano 1223. “Nesse ano, em vez de festejar a noite de Natal na Igreja, como era seu hábito, o Santo fê-lo na floresta, para onde mandou transportar uma manjedoura, uma vaca e um burro, para melhor explicar o Natal às pessoas comuns, os camponeses que não conseguiam entender a história do nascimento de Jesus. O costume espalhou-se por entre as principais catedrais, igrejas e mosteiros da Europa durante a Idade Média, começando a ser montado também nas casas de Reis e Nobres já durante o Renascimento”. A partir do século XVI os presépios tornaram-se autênticas obras de arte e criatividade. No século XVIII vulgarizou-se o costume de montar o presépio nas casas comuns na Europa e em todo o mundo.

Só tenho pena que, por vezes, o pai natal também já tenha “invadido” a humanidade e a humildade do presépio, às vezes até dependurado num pinheiro. É provável que alguém se tenha apropriado do momento em que começa a nossa era para lhe introduzir umas pinceladas da chamada sociedade de consumo, servindo-se daquele velhinho simpático e de barbas brancas. Por isso, deixem-me ficar com o meu presépio da infância.

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P. João de Brito Carvalho (SDB)

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