Nossa Senhora e a Eucaristia

Posted By: admin on Jun 28, 2012 in Formação
Jesus Sacramentado, N.S De F--tima

O povo de Deus reconhece na Igreja a família que tem como mãe Maria Santíssima, mãe de Jesus. Mediante o seu “SIM” na anunciação, Maria tornou-se mãe do Filho de Deus incarnado e consequentemente Mãe da Igreja. Por isso, Maria e a Igreja estão unidas na mesma vocação de maternidade: ambas contribuem para gerar o corpo de Cristo.

Sabemos como a experiência eclesial é caracterizada por uma forte dimensão eucarística e mariana. Podemos constatá-lo na liturgia ocidental e oriental, na piedade popular, nas festas, nos santuários marianos, na espiritualidade dos movimentos contemporâneos e nas tradições das grandes e pequenas famílias religiosas. A presença de Nossa Senhora, na vida de qualquer crente, significa como que introduzir na sua vivência da fé a dimensão feminina e materna.

Na tradição eclesial, Maria aparece sempre associada a Cristo, seu Filho, na comunidade que celebra a Eucaristia. O culto à Santíssima Virgem, na expressão de fé dos cristãos, tem uma nota cristológica fundamental, unida mais especificamente à dimensão eucarística. O saudoso papa Paulo VI, na encíclica “Marialis cultus”, referindo-se a Maria Santíssima como modelo da Igreja, utiliza quatro verbos muito expressivos, para descrever a atitude de Maria diante do mistério da encarnação e da redenção: Maria é a virgem “audiens”, “orans”, “pariens” e “offerens” (cf MC 17-20).

Há uma ligação íntima entre a comunidade que celebra a Eucaristia – e de uma forma especial no tempo de Páscoa – e a Santíssima Virgem, presença viva na Igreja. Verificamos que nos grandes santuários marianos do mundo, a Igreja reúne-se para celebrar a Eucaristia, e neles, a Virgem Santíssima exerce como que um ministério “carismático”, com um forte apelo à conversão e à mudança radical de vida dos fiéis. É que, ao celebrar a Eucaristia, a comunidade encontra em Maria, um verdadeiro modelo, não só com o cântico do Magnificat, mas com toda a sua vida.

O mês de Maio, dedicado pela tradição cristã a um particular culto à Santíssima Virgem, em pleno tempo pascal, conduz-nos a descobrir a relação entre Maria Santíssima e este Sacramento que Cristo nos deixou como incarnação permanente na história. Pronunciando um “fiat”, como Maria Santíssima, as nossas comunidades continuam a gerá-lO e a apresentá-lO ao mundo de hoje. A comunidade que celebra a Eucaristia invoca o Espírito Santo, gerando como em Maria, Cristo eucarístico, tornando-o presente no mundo, ao mesmo tempo que participa da Sua missão. A Eucaristia enquanto memorial, sacramento e presença, continua na Igreja o dinamismo da incarnação, iniciado em Maria.

Na espiritualidade de S. João Bosco, a Igreja, representada pelo Papa, atravessa tranquilamente o mar encapelado do mundo, somente se ancorada a duas sólidas colunas: a da Virgem Maria e da Eucaristia. Sabemos como ele preparava os seus rapazes do Oratório para receber este sacramento e como lhes recomendava vivamente a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora. Foi esta confiança ilimitada em Maria Auxiliadora que o fez afirmar nos últimos anos da sua vida: “foi Ela quem tudo fez”.

P. João de Brito (SDB)

www.salesianos.pt

leave a comment