Não se esqueça de viver

Posted By: admin on Set 29, 2011 in Formação
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Alguma vez na sua vida já se esqueceu de viver? Eu já!

Gosto muito do clássico “Pollyana” de Eleanor Porter, que narra a história de uma menina, filha de um missionário pobre, que após ficar órfã, foi morar noutra cidade com a sua tia Polly Harrigton, uma Senhora que possuía muitos bens materiais e tinha grande influência em todos os sectores da sociedade, mas era infeliz, e na concepção de Pollyana, não sabia viver. Segundo a garota, viver era ter um tempo só seu no qual pudesse fazer coisas de que gostava sem se preocupar com regras, horários e leis; e a tia Polly tinha regras, horários e leis para tudo.

O certo é que com a chegada da menina, de uma hora para outra, tudo começa a mudar em Beldingsville, uma típica cidade dos Estados Unidos. A tia Polly, aos poucos, torna-se uma pessoa melhor, mais amável, e o mesmo acontece com praticamente todos os que conhecem aquela garota e o seu incrível “Jogo do Contente”. É que Pollyanna não aceita desculpas para a infelicidade e empenha-se de corpo e alma a ensinar às pessoas o caminho para superar a tristeza e valorizar a vida.

Em muitos aspectos concordo com ela, aliás, este livro é um dos que mais marcaram a minha vida até hoje. Assim como aquela garota, acredito que viver é ser responsável sim, mas também é o ser livre para se ser quem é, sem precisar prestar contas ao mundo da roupa que se veste e de cada passo que se dá… É ter tempo para estar com as pessoas que amamos, ouvir o canto dos pássaros, contemplar as flores, correr no parque, fazer castelos na areia e rir de si mesmo quando sentir vontade.

Há dias atrás, levei um susto ao perceber que não estava “a viver”. Envolvida num projecto exigente dentro da missão evangelizadora que assumo, estava a dedicar-lhe mais tempo do que deveria. Dormia e acordava a pensar nas melhores formas de conquistar as metas do dia seguinte, e quase sem perceber, a minha vida estava a girar em torno desse mesmo projecto.

Era tudo com boa intenção, já que a meta era evangelizar, mas certamente estava a ir por atalhos e não pelo caminho certo. Até que ao voltar para casa num fim de tarde, observei no jardim, do prédio onde moro, várias florzinhas daquelas que soltam as suas sementes e voam pelo ar quando sopramos. Lembrei-me rapidamente do quanto gosto dessas flores e me admirei de não as ter visto antes, sendo que passava no mesmo lugar no mínimo duas vezes por dia! Parei por um instante, sentei-me ali mesmo, e fui soprando as flores, da mesma forma que eu fazia quando era criança e continuo repetindo o acto até hoje.

Parece que quando vejo as sementes suspensas no ar, a serem levadas para o alto pelo vento, sinto-me mais livre, mais leve, mais perto de Deus; e a agitação e os problemas do dia-a-dia, por um instante, voam com elas. É uma sensação muito boa. Experimente fazer isto e vai perceber que a criança, que você era, ainda está dentro de si e alegra-se com coisas assim, bem simples.

Naquele fim de tarde, sentada no muro do canteiro, fui percebendo que havia dias que me tinha esquecido de fazer as coisas simples e “descomplicadas”, que por sinal me fazem tão bem. Tinha-me permitido que o trabalho definisse a minha rotina e me roubasse a leveza da vida. Tudo foi passageiro e superado com sucesso, graças a Deus, mas não pretendo repetir a experiência!

Sei que não estou imune do activismo porque me vejo continuamente diante de grandes desafios no exercício da missão assumida, mas continuo a buscar o equilíbrio entre o fazer e o ser. Sei que o mais importante diante de Deus não é o que faço, mas quem realmente sou para Ele.

Não é o caso de arranjar desculpas, mas a realidade do nosso tempo, considerado a “Era do Desenvolvimento”, põe-nos diante do grande perigo que é passar pela vida sem sentir o prazer de viver.

Contemplamos uma sociedade “controlada” pela sede do saber, ter e poder, porém, mesmo “sabendo” e “tendo” tanto, não pode viver com liberdade usufruindo do que possui.

É preciso empenho para não se deixar levar por essa correnteza, e aí entram a fé e a fidelidade aos nossos princípios de vida para que sejamos sustentados.

Precisamos “pontualizar” onde queremos chegar de facto, e seguir em frente sem perder a inspiração inicial. O trabalho é importante e necessário, mas não tem o direito de nos escravizar, a não ser que lhe demos esta oportunidade.

Hoje se a vida está cheia de compromissos e lhe falta tempo para fazer as coisas de que  mais gosta, tenha a coragem de parar, nem que seja um pouco, e priorize o que realmente é mais importante para si. Acredito que terá óptimas surpresas, como eu tenho tido.

Lembre-se: a vida é o que temos de mais precioso! Não se esqueça de viver!

Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova em Portugal

Discussion - 2 Comments

  • solange sousa Out 01, 2011 

    Obrigada Dijanira por suas palavras, isso tem sido a minha vida, tenho vivido para o trabalho,durmo e acordo,quase nem durmo, pensando como fazer amanhã.Não vivo nada, não vou a lugar algum, não acho graça em nada.
    apartir de hoje vou tentar mudar, sei que como a Canção Nova vivo da providência, faço a minha parte e o resto Deus proverá.Tenho que me desligar um pouco, e por em prática, em não me preocupar com o tamanho dos meus problemas e sim acreditar no tamanho do meu Deus,

  • cristina piccinini Out 04, 2011 

    orações das 6 horas (o terço).
    obrigado !!!!!!!!

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