Lá em casa, éramos seis…

Posted By: Clube on Set 30, 2015 in Clube
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Cresci numa casa em que éramos seis… os meus pais, o meu irmão, eu e as minhas duas avós… no Verão, com as férias juntavam-se mais uns tantos tios e primos… uns que passavam só um dia… outros ficavam quase um mês… e era aquela alegria de sermos muitos, de contarmos histórias, de partilharmos projectos, de rirmos e chorarmos juntos, de sermos Família… Durante o ano, escrevíamos uns aos outros… cartas, claro! Aerogramas para os primos que tinham ido como militares para África…

Mais tarde, constitui uma nova família, gerada nos valores que me ensinaram… e continuámos o caminho de ser família, ser entrega, ser doação, ser presença… ainda que às vezes, aconteçam atritos, situações menos felizes…
Aprendemos a superar dificuldades, a aceitar diferenças, a ajudar o outro a crescer, a ser pessoas.

Ser família é isso mesmo: é aceitar o outro, é ser “um do outro e os dois de Deus”, mas ser também para os filhos, os pais (os sogros incluídos, obviamente), os irmãos, os tios e primos e outros irmãos que a vida nos oferece. Ser família não é ficar fechado no seu casulo, é perceber que dentro da nossa casa podemos ser simplesmente nós, com as nossas manias, defeitos, limitações, mas também com as nossas virtudes, os nossos talentos, que sempre teremos o respeito, o carinho e o espaço que são garantidamente nossos para sempre (mesmo que algumas vezes sejamos um pouquinho “bichos do mato”, intratáveis e com um feitiozinho daqueles, que tenhamos um acordar que afasta tudo e todos, que não digamos as palavras mais sensatas, que fechemos o sorriso e sejamos teimosos até ao extremo), mas que também somos para o exterior, que somos exemplo, que somos testemunho. Sempre ensinei aos meus filhos que dentro de casa podiam zangar-se uns com os outros, discordarem, ficarem amuados (faz parte dos relacionamentos e do próprio crescimento do ser social), mas na rua, teriam que ser “um”, estar disponíveis para se protegerem.

A minha avó paterna sempre me ensinou, por actos concretos mais do que com palavras, que “família é família”, querendo ensinar-me que aconteça o que acontecer com cada um de nós, os outros têm que ser/estar presentes, unidos, solidários, dispostos a dar a vida…

Ser família não é só o bonito para a fotografia, não é só o encontro nas festas, é acima de tudo o dia a dia vivido na partilha, na esperança, na certeza do porto de abrigo, mesmo quando apetece partir tudo e ir para longe, mesmo quando a vida nos atraiçoa e atira ao chão. Ser família é ter raízes bem firmes num solo só nosso, num solo sagrado, sabendo que as tempestades virão mas que não estamos sós para as enfrentar. Ser família é saber olhar na direcção de Deus e seguir o caminho juntos, na certeza que, com mais ou menos tropeções, chegaremos ao destino.

Hoje a família cresceu, e na graça de Deus mais crescerá, mas o sentimento é o mesmo “juntos vamos mais longe”: temos mais gente para proteger mas também temos mais gente a interceder por nós. Já vivemos na pele a dor das partidas antecipadas, já sofremos a dor da ingratidão e da incompreensão, mas juntos, com o auxílio da família de Nazaré, prosseguimos: fizemos das lágrimas tapete para amenizar as pedras do caminho, das dores espaço para acolher outros, das mágoas espaço para perdão e compreensão.

Não somos perfeitos. Cada dia aprendemos a ser melhor, quer como pessoas, quer como família. Acreditamos que Deus vela os nossos passos e que um dia, poderemos cantar “juntos chegámos ao Céu!” pois lá é o nosso lugar.

Paula Ferraz Missionária da Comunidade Canção Nova

Paula Ferraz
Missionária da Comunidade Canção Nova

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