Jesus e as crianças…

Posted By: Clube on Jun 01, 2015 in Formação
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Jesus disse-lhes: «Deixai vir a mim os pequeninos e não os afasteis, porque o Reino de Deus pertence aos que são como eles»” (Mc 10, 14)

Dia 1 de junho é o dia mundial das crianças! Neste dia, ao contrário daquilo que se pensa e que habitualmente se faz, não é só o dia em que se faz festa e as crianças recebem presentes.

É preciso recuar no tempo para compreendermos a instituição deste dia mundial. Ao terminar a 2ª Guerra Mundial, muitos países da Europa, do Médio Oriente e a China entraram em crise. As pessoas estavam mais preocupadas em retornar a uma vida normal, estável, do que com a educação das crianças (muitas delas ficaram órfãs). As crianças eram obrigadas a trabalhar muitas horas e em situações bem duras, por isso, eram raras as que iam à escola. Face a estes problemas, um grupo de países da ONU começou a trabalhar para restituir a infância, com dignidade, às crianças: assim nasceu a UNICEF, em 1946. Apesar dos esforços realizados, era difícil alterar a situação porque muitos países nem sequer estavam interessados em ouvir falar dos direitos das crianças. Foi então que, em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que se criasse um dia dedicado às crianças de todo o mundo, onde se chamasse a atenção para as condições em que elas viviam e se realçasse a importância de se ser criança e onde se percebesse que são as crianças a garantia do futuro. Foi neste ano que se comemorou pela primeira vez o dia mundial da criança.

Com a criação deste dia, os estados-membros das Nações Unidas, reconheceram às crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social o direito a: afeto, amor e compreensão; alimentação adequada; cuidados médicos; educação gratuita; proteção contra todas as formas de exploração; crescer num clima de Paz e Fraternidade universais. Mas só em 1959 +e que os direitos das crianças foram colocados em papel – Declaração dos Direitos das Crianças (10 princípios que se forem cumpridos trarão dignidade e felicidade às crianças). A partir de 1990, estes princípios tornaram-se lei universal, todavia, sabemos que ainda não se cumprem na íntegra pela totalidade dos países. Além disso, também se banalizou este dia, tornando-o muitas vezes num aspeto redutor de consumismo.

Educar as crianças proporcionando-lhes bem estar para o seu desenvolvimento harmonioso (físico, psicológico, social e moral): nesta fase da vida que se criam as bases sólidas para uma sociedade futura, alicerçada em valores, orientada para o amor ao próximo e para o conhecimento da obra da criação e, consequentemente, da salvação. Na infância as crianças são integradas nas paróquias para fazerem o seu percurso catequético. É importante que se estabeleçam laços de proximidade entre a família e a paróquia, nomeadamente, com o catequista.
A missão do catequista é atrair as pessoas ao seguimento de Jesus e fazer experiência do amor de Deus. O catequista é uma pessoa escolhida por Deus, através da Igreja e, por ela, encarregada para ser sinal-instrumento eficaz, para transmitir, com a própria vida e pela Palavra, a Boa Nova do Reino de Deus que se revelou plenamente em Jesus Cristo.

Diante da cultura da exclusão, da cultura do descartável, o catequista é chamado a promover a cultura do encontro. “O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade, a fraternidade são elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana.” (Papa Francisco)

O Papa Francisco exorta os catequistas a não ficarem entrincheirados “Mas digo-vos que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada do que uma Igreja enferma; um catequista que tenha a coragem de correr o risco de sair, do que um catequista que estuda, sabe tudo, mas permanece fechado.” (A alegria do Evangelho)

Durante algum tempo, eu fui apresentando resistência ao convite que me fizeram para ser catequista: não me considerava capacitada para tal. Mas, colocando as minhas dúvidas no coração de Jesus, percebi perfeitamente as Suas palavras: “Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça” (Jo 15, 16). Aceitar este convite, esta missão, é aceitar o desafio de trabalhar na messe do Senhor a tempo inteiro e em regime de dedicação total: ser catequista vai muito para além do encontro semanal de uma hora – é ser catequista no trabalho, nos afazeres do dia a dia, nas horas e atividades de descanso.

As crianças são ávidas de saber, mas quando chegam à catequese ou vêm com a cabeça povoada de histórias (nem sempre muito consentâneas com a verdade) ou nada conhecedoras de Deus: a família já não é o primeiro lugar onde se conhece Deus, onde se estabelece uma relação de amor filial com o Pai que nos acolhe, perdoa e ama. As crianças são atentas a cada palavra mas, acima de tudo, a cada gesto, a cada atitude. O exemplo é a melhor lição.

Paula Ferraz  Missionária da Comunidade Canção Nova

Paula Ferraz
Missionária da Comunidade Canção Nova

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