Génese Histórica da Solenidade da Epifania

Posted By: admin on Jan 06, 2014 in Formação
epiphany

A palavra “Epifania” tem origem no grego, “Epipháneia” e significa manifestação ou aparição. No grego helenístico, o termo era utilizado entre os autores pagãos e significava a chegada de alguém muito importante, aplicando-se também ao nascimento de um rei ou de um imperador e à entronização dum soberano. No Novo Testamento, o termo Epifania começou a aplicar-se para indicar a manifestação de Jesus na Sua humanidade (Jo. 1, 14, 2, 1; 2Tm. 1, 10; Mt. 2, 1s) e na Sua parusia (1Tm. 6, 14; 2Tm. 4, 18; Tt. 2, 13).

Liturgicamente, a festa da Manifestação do Senhor, a Epifania, começou a ser celebrada no Oriente, na primeira metade do século IV, fixando-se como data o dia 6 de janeiro.

As Igrejas do Oriente celebram nesta festa, o batismo de Cristo no rio Jordão. No Ocidente, entende-se por Epifania a tríplice manifestação divina de Cristo, «primícias das gentes», aquando do Seu batismo, das bodas de Caná e da adoração dos Magos.

Situando-nos no contexto da História da Igreja Primitiva e da sua iconografia ocidental, descobrimos que uma das pinturas do século II, na catacumba romana de Priscila, representa Nossa Senhora vestida como dama romana e os Magos de cabeça descoberta a andar com os presentes nas mãos, sem que nada indique a nacionalidade ou o carácter real das pessoas. Nesta e noutras catacumbas, há grande variedade na representação. Umas vezes os Magos vestem túnicas curtas, outras cobrem-se com longas capas ou mantos e têm nas cabeças gorros frígios. Maria aparece no centro da cena e eles agrupam-se dos dois lados simetricamente. É frequente surgirem apresentados três Magos. S. José em geral não aparece, a não ser nas pinturas mais tardias, dos séculos IV e V.

No calendário litúrgico renovado pelo concílio Vaticano II, a manifestação da divindade de Cristo, acontecida no Batismo de Jesus e nas bodas de Caná, é remetida para outras datas. A atual liturgia, só celebra na Epifania a manifestação da divindade de Cristo e os Magos, que a tradição popular apelida de “Reis”.

Curiosamente, a Igreja monofisita da Arménia não celebra o Natal de Jesus Cristo a 25 de dezembro, mas a 6 de janeiro, conjuntamente com as manifestações da divindade de Cristo no batismo e na adoração dos Magos.

Para concluir, lembramos que no Evangelho de São Mateus (Mt. 1-12), o termo “Magos” parece designar um grupo de astrólogos babilónicos, conhecedores do messianismo hebraico e que interpelados por uma estrela misteriosa, a seguiram na mira de encontrarem o Messias anunciado. O título de “Reis”, o número a sua raça e os seus nomes próprios derivam de tradições extra evangélicas.

Cónego Senra Coelho

 

leave a comment