Dom da vida…

Posted By: admin on Dez 21, 2011 in Clube
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Minha história começa na pequena cidade  de Elias Fausto, no interior de S. Paulo. A casa ainda existe, deram-me notícias disso pessoas que há pouco tempo estiveram por lá!

Quando a minha mãe entrou em trabalho de parto, aconteceu que fiquei sem oxigénio e não nascia. Todos os médicos para quem contei o caso, disseram:  – Mas então ocorreu um milagre no seu nascimento?

Não sei responder. O facto foi fiquei sem oxigénio e não nascia. O parto, que era para acontecer em casa, estava a ser acompanhado por uma parteira. Como ocorreu esta complicação e não havia médico na cidade, foi preciso procurar um na cidade vizinha, coisa demorada. Era 1936. O médico veio, tentou tudo, usou forceps. Outros médicos disseram-me depois:  “Fórceps é uma faca de dois gumes: Se não retira a criança, aperta a cabeça.” Isto aumentava, naquele tempo, o risco do bebe ficar com problemas.

O doutor chegou a desistir, mandou que a minha mãe relaxasse. O seu objectivo era salvar a mãe, pois ele acreditava que o menino já não tinha salvação. O médico saiu do quarto e deixou a minha mãe sozinha, escutando as conversas que aconteciam na sala ao lado. Estávamos em casa do meu avô materno. O avô era um líder local, morava em frente da estação ferroviária, o centro da cidade naquele tempo.

Tudo acontecia ali onde passava o comboio. Entre as pessoas que conversavam, na sala da casa, havia um rapaz de sobrenome Bosco. Falava num Santo com o nome dele. Os outros brincavam: “Onde já se viu, não existe nenhum Santo com esse nome… ” Então ele começou a falar sobre D. Bosco, sobre o trabalho de D. Bosco com os jovens. A minha mãe, lá do quarto escutava tudo. E ela tomou uma decisão: consagrar-me a D. Bosco. Depois ao contar-me tudo isto, disse que usou as seguintes palavras: “Não conheço o senhor, mas, por aquilo que estou a escutar, cuide deste menino para mim…”

O curioso é que a minha mãe contou que disse: “cuide deste menino para mim.” Até perguntei: “Mas porquê menino, mãe?” Naturalmente, naquela época, ainda não havia o ultra-som, para mostrar antes do parto o sexo da criança. Era uma surpresa. E ela, sem gaguejar, mulher de muita fé: “Ah, tinha a certeza de que era menino. Você e não tinha outro nome, ia-se chamar Jonas, era o único nome escolhido…”

Imagino a solidão da minha mãe naquela passagem. Havia movimento, pessoas que tentavam fazer o melhor, mas as falas de uns e outros só indicavam a dificuldade do meu nascimento. O momento das contracções, da dor do parto era ainda mais pesado. Mas ela manteve-se firme, sustentada na esperança de que tudo correria bem.

Minutos depois eu já estava a nascer. Não nasci com parteira, não nasci com médico, estava praticamente a nascer sozinho. Foi um corre-corre. A parteira veio e recolheu-me. Depois o médico viu e ficou admirado: apesar de todas as condições adversas do parto, eu não tinha qualquer defeito… E o interessante é que a minha mãe ouviu falar apenas de D. Bosco um bom tempo depois.

Padre Jonas Abib

Fundador da Comunidade Canção Nova

Excerto do Livro “Eu acredito em milagres”

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