Deus sabe onde nos quer levar…

Posted By: Clube on Ago 12, 2016 in Formação
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Deus mais uma vez, atendeu ao meu pedido, mas sempre “à sua maneira”!

No final do ano de 1969, após dois anos de encontros, sentia-me tão cansado que não participei do último encontro do ano. Padre Dilermando foi no meu lugar. lembro-me que depois da partida do autocarro fui para o meu escritório, sentei-me à mesa e fiquei ali, não sei quanto tempo sem reação.

Um colega encontrou-me naquele estado. Trouxeram um médico, muito amigo, um dos dirigentes do encontro, que me examinou e, delicadamente, disse-me: “Padre, amanhã o Senhor vai ao Centro de Saúde fazer uma radiografia do pulmão. Só para eu verificar!

Foi o que fiz logo no dia seguinte. Não demorou muito e o médico disse: “O senhor é padre, por isso posso falar-lhe diretamente: o senhor está tuberculoso! Já deve estar assim há muito tempo e precisa parar, e se cuidar!“. A terra desapareceu debaixo dos meus pés!

Eu precisava reagir! De volta ao colégio, no meu quarto, ajoelhei-me, entreguei-me a Deus e agradeci. Resultado: fui para Campos do Jordão, São Paulo, e fiquei lá por vários meses. Mesmo doente, depois de um mês, não conseguia ficar parado. No sanatório só havia homens; a maioria jovens. Era até engraçado! Eles estranhavam a minha presença no sanatório, pois eles, jovens, estavam tuberculosos, no sanatório!

Foi o bastante para que se criasse uma grande amizade entre nós. Então, eles me contaram que a causa por estarem ali eram as festas e as bebedeiras. Desse modo, não sem motivo se perguntavam: “O que é que o padre andou a fazer?“. Muitos se confessaram comigo. De maneira especial, lembro-me que no natal fizemos uma linda festa. Com a permissão das irmãs, à meia-noite tivemos a missa. Celebrei e toquei algumas músicas. E como cantavam! Todos os tuberculosos cantaram com os pulmões cheios. Foi uma festa, realmente um nascimento!

Não deixei por menos: no mês seguinte, fizemos um encontro de jovens no sanatório. Foi então que, não sem razão, o médico chamou o meu superior e disse-lhe que se ele quisesse que eu me curasse era preciso tirar-me do sanatório. Foi o que o meu superior fez enviando-me para Lorena.

Quando soube que ía para Lorena chorei que nem uma criança. Não queria abandonar o trabalho com os encontros, um trabalho organizado, um apostolado. Fui para Lorena como se fosse para um exílio.

Aquele foi, com o perdão da expressão, um ano de “cão”. Por minha culpa! Fiquei muito magoado com os meus superiores. Aos poucos, percebi que eu não voltaria mais ao meu antigo trabalho. Já me haviam substituído, outra pessoa continuava os encontros com os jovens. Por isso, infelizmente, o meu ressentimento só aumentou, levando-me ao fundo do poço.

Então voltei a pedir a Deus aquilo que me faltava: Fé.Não me deitava antes de rezar o “Vinde, Espírito Santo!”Sem saber, com esta atitude, já estava a pedir exatamente o que precisava. E aconteceu! Vou-lhe contar como a Providência Divina cuidou de tudo! Padre Irineu, que hoje é Bispo da diocese de Lins, foi convidado para nos dar uma palestra sobre a ação do Espírito Santo. A partir do novo testamento, página por página, ele mostrou a pessoa e a ação do Espírito Santo, explicando a obra do Espírito Santo em Jesus, em Maria, nos apóstolos e nos primeiros cristãos.

Devo confessar que fiquei perplexo ao ouvir aquela palestra. Ao mesmo tempo, algo novo se foi apropriando de mim. Tinha conhecimento de todas aquelas passagens bíblicas, mas nunca tinha feito a ligação alguma entre elas, como a que o Padre Irineu apresentava. Dizia a mim mesmo: “Meu Deus do céu, parece que isto que me falta! É esse Espírito Santo, desse jeito que me está a faltar.”Não aguentei ficar até ao fim da palestra. Levantei-me, desci as escadas e fui para a capelinha do Colégio de São Joaquim. Lá disse ao Senhor de modo direto: “Olha, Senhor, se é disso que eu preciso, dá-me. Eu nem sei bem o que é isso, mas, se é disso que eu preciso, dá-me.” Só me restava esperar que o meu Pentecostes acontecesse.

Ao fim daquele dia, enquanto fechava as janelas da sala, o telefone tocou. Era o Padre lauro, de Aparecida, que me perguntou se era verdade que o Padre Haroldo Rahn faria connosco uma experiência do Espírito Santo.

O que eu sabia era que o Padre Haroldo pregaria um retiro para os nossos seminaristas e foi o que lhe respondi. Ele pediu-me que reservássemos duas vagas, e eu o atendi. Nem saí dali e disse a mim mesmo, decidido: “Vou fazer esse retiro“, sem saber do que se tratava.

Padre Haroldo compareceu no dia 2 de Novembro de 1971. Falou-nos a respeito do que Deus estava a fazer no mundo através do Renovamento Carismático Católico, explicou-nos sobre a efusão do Espírito Santo e o que eram os dons do Espírito Santo. Fez o que foi possível num único dia.

Realmente, não entendi bem o que era o Renovamento Carismático Católico, nem o que era a efusão do Espírito Santo, menos ainda o que eram os dons. Porém, desejei-os do fundo do Coração. Entendi que era o que me faltava!

Houve uma missa. Na parte final, o Padre Haroldo, ainda na sacristia, disse a nós padres, se se quiséssemos, ele imporia as mãos sobre cada um e pediria a efusão do Espírito Santo. Ficamos sem jeito, mas pior seria dizer que não. Então aceitámos! Ele simplesmente passou impondo as mãos sobre cada um de nós!

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Monsenhor Jonas Abib

Excerto retirado do livro “Canção Nova Uma Obra de Deus!”

Discussion - One Comment

  • manuela Ago 17, 2016 

    Vinde Espirito Santo, Vinde! Pela poderosa intercessão do Coração Imaculado de Maria, vossa amadíssima esposa, sobre todos nós e em especial dos nossos sacerdotes da Diocese de Angra do Heroísmo. Que haja um verdadeiro avivamento da fé, no nosso grupo de oração “Pneuma de Jesus” com aconteceu ao Monsenhor Jonas. Amém!

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