Acerca do dom da fé

Posted By: admin on Abr 10, 2013 in Formação
lamparina

A elementar formação catequética faz-nos saber como a fé em Cristo Jesus, Servo e Senhor da Vida, não é, nunca, algo demasiado particular, no sentido em que seremos cada um de nós seu proprietário e causador.

Haverá por aí muito disto mas… não dá para enganar: essa, pode até ser fé mas não é a fé cristã!

A fé cristã nasce e alimenta-se na comunidade na qual Jesus, pelo Seu Espírito, nos revela o Pai.

Procura-se, pede-se e recebe-se como dom e nunca pode deixar de ser dom.

Terá, em cada um de nós, algumas particularidades pessoais, conforme a nossa história e o nosso caracter, mas ela é-nos comunicada na condição e na medida em que caminhamos, realmente e empenhadamente em comunidade. Vivendo na comunhão que é sacramento no qual que reconhecemos como somos edificados na medida exacta em que nos alimentamos da presença e da relação com O Ressuscitado, o que só é possível pela acção do Espírito que permanentemente nos chama e convoca, reúne e envia, gerando-nos como filhos e amigos de Deus Pai.

A fé é esta luz divina que brilha para nós para vencer as nossas trevas e gerar a Vida Nova pela qual sabemos e experimentamos, vemos e conhecendo, como é o “Pai Nosso”, que Jesus de Nazaré e o Espírito do Ressuscitado veio revelar a toda a humanidade. Assim, para todos os crentes, abre-se e se torna acessível a vida intima da Trindade, por sua livre iniciativa e sem mérito algum da nossa parte.

A fé dá-nos luz para nos capacitar para começar a ver e conhecer toda esta bela realidade, em si mesma invisível aos olhos da cara mas revelada e manifesta aos olhos do coração que crê. É aí que se vê e saboreia como Deus é: Amor em plenitude!

Ninguém chega aqui por só si e ninguém permanece aqui só por si mesmo.

A condição é procurar sempre abrindo os ouvidos e o coração à Palavra proclamada e empenhadamente escutada. Com ajuda, torna-se compreendida e solicita a resposta livre e feliz do crente.

Escuta-se quando há quem pregue, e essa é a missão primeira e fundamental da Igreja de Cristo!

Assim sabemos como a Igreja é necessária e imprescindível à fé cristã!

Significa isto que quem não quer escutar e acolher a Palavra da Igreja não pode ter fé!

Finalmente: não nos deixemos enganar: a fé não se tem. Vai-se tendo para se desenvolver e afirmar à medida em que caminhamos em e pela Igreja.

Deixada a si mesma e sem cultivo, ela perde-se e deixa de ter a força necessária quando vierem as provações da vida.

Precisamos de pedir todos os dias e em todas as circunstancias. Deus vai dispensando a sua Graça conforme as nossas reais necessidades e capacidades.

É que o verdadeiro amor precisa da humildade e da persistência de quem o deseja e pede!

Quem pede reconhece que não tem (senão não pediria!).

Quem pede reconhece também quem lhe pode facultar (por venda ou por oferta!).

Mas tudo o que é realmente bom, muito bom e até divino… não há dinheiro que pague!

“Paga-se” com outro dom: a nossa livre resposta de aceitação e acolhimento.

A fé, que é dom, aceita-se e acolhe-se para ser em nós mais valiosa do que a pérola mais preciosa que alguém possa ter encontrado.

Em resumo: a fé é dom de Deus que só livremente se pode acolher e estimar.

Esta é a razão pela qual temos de a pedir permanentemente e cuidar de não a colocar ao lado da nossa forma de ser e de estar. Ela precisa de tomar lugar no centro da nossa vida. É à volta dela que nos devemos centrar e apoiar para suportarmos todos os encontrões e aproveitar todas as nossas potencialidades. Para maior Glória de Deus!

Padre Luís Borga

Diocese de Santarém

leave a comment