A transformação que vem do encontro

Posted By: admin on Fev 03, 2012 in Formação
RIOS

Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros“.

Esta é a opinião do pensador Brasileiro Roberto Crema, simples, mas profundo, concordo com ele!

Já ouvi dizer que os dois factores que mais nos influenciam e nos transformam são os livros que lemos e as pessoas com as quais convivemos. Será?

Quanto a mim a afirmação é real. Admiro-me quando observo o quanto sou transformada, e o quanto aprendo a partir dos encontros que tenho. Principalmente, quando me abro para acolher os impactos que as ideias e sentimentos do outro me causam. Um dia destes, ouvi uma partilha que me fez compreender melhor o que estou a afirmar.

Falando sobre relacionamentos, um amigo fez a seguinte reflexão:

Já observaste a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio e as que estão na foz?” Abanando a cabeça eu disse que não e, ele explicou-me:

As pedras na nascente são cobertas de lodo, pontiagudas e cheias de arestas. À proporção que elas vão sendo levadas pelo rio, sofrendo a acção da água, sendo polidas, desbastadas. As arestas vão desaparecendo. Elas ficam mais orgânicas, mais suaves, lisas, e o melhor: vão ficando cada vez mais parecidas com as outras, sem necessariamente serem iguais. Quanto mais longo o curso do rio, mais transparece a mudança.

Depois disto, compreendi onde ele queria chegar, mesmo assim ele completou:

A mesma coisa acontece connosco se nos abrimos corajosamente aos relacionamentos profundos. O “Rio da Vida” nos conduzirá entre um atrito e outro (contacto com o próximo) eliminando arestas, desbastando diferenças, e harmonizando-nos uns com os outros, sem necessariamente perdermos a nossa identidade, a nossa essência.”

Pensando bem, esta é uma verdade inegável. Claro que alguns relacionamentos deixam-nos marcas, digamos que até negativas… tiram lascas e às vezes até pedaços de nós. Mas, um coração sem marcas é um coração que não amou, que não viveu. Um coração que não chorou, nem sentiu dor é um coração sem vida, sem sentimentos. Sentimentos, já diz o poeta, “são o tempero da nossa existência“, sem eles a vida seria monótona e árida.

Passar pela vida sem se relacionar profundamente, sem permitir ter sentimentos é não crescer, não se deixar transformar. É começar e terminar a existência com uma forma bruta, sem brilho, sem vida.

Carrego várias marcas de pessoas importantes que passaram ou permanecem em minha vida. No contacto com elas, fui tomando a forma que tenho, muitas arestas foram eliminadas… Transformaram-me em alguém melhor, mais suave, mais equilibrada.

Outras, com suas acções e palavras, criaram em mim novas arestas, que precisam ser desbastadas pelos que virão… Faz parte do jogo! Podemos chamar isto de experiências válidas. Quem disse que na vida nós só ganhamos?

O escritor Cearense, Paulo Angelim ao falar sobre a nossa transformação a partir dos relacionamentos, diz:

Os seres de grande valor, percebem que no final da vida foram perdendo todo os excessos que formavam as suas arestas, aproximando-se cada vez mais da sua essência, e ficando cada vez menores. Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor. Já viu o tamanho do diamante? Sabe quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago? É lá que está o verdadeiro valor“.

Creio que o diamante mais precioso que temos é a capacidade de amar e ser amados, pois Deus criou-nos essencialmente para isto. Capacitou-nos para amar e deixou no entanto, o desafio de descobrir como.

Acredito que não existe outra saída a não ser lançar-mo-nos corajosamente nos relacionamentos profundos.

Por algum tempo, acreditei que amar significava evitar sentimentos maus. Não entendia que ferir e ser ferida, ignorar e ser ignorada, errar na tentativa de acertar… fazem parte da construção e da aprendizagem do amor.

Ora, estes sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento. E envolvimento gera atrito, atrito gera mudança e mudar às vezes custa muito, exige disposição e coragem, está disposto?

Para concluir, podemos lembrar as inesquecíveis palavras de São Paulo:

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou….”(1 Co 13:1-3)

 Já que é assim, vamos a lutar… Sem medo de amar!

Dijanira Silva

Missionária da Canção Nova em Portugal

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