A LINGUAGEM DA CARIDADE.

Posted By: admin on Mar 30, 2012 in Testemunhos
diario-de-um-mendigo

Vou dar um testemunho daquilo que nunca pensaria que me acontecesse..

Estávamos no mês de Dezembro, mês de Natal, ruas iluminadas, tudo se preparava para a festa do nascimento do Menino Jesus. Um mês também marcado por temperaturas baixas, como é próprio da altura..

Numa certa noite, já depois do jantar, com a lareira acesa e com o conforto no lar, fui despejar o lixo ao contentor.

Nessa oportunidade já ia aproveitar para ir à garagem e trazer mais lenha, para puder sustentar o fogo. Ao aproximar-me do contentor do lixo, deparei-me com um homem ali bem perto a dormir na pedra fria.

Aproximei-me para ver o que se passava, e não tive dúvidas do que vi, era um sem-abrigo.

Homem de barbas brancas, já de meia-idade, e estava um pouco alcoolizado.

Decidi acorda-lo! E disse: “ Senhor ! ” – ele não me respondera. Voltei a falar dizendo “ Sir” e ele respondeu com um tom de incómodo dizendo “ Hummm”- não estando ainda bem acordado. Voltei a repetir e disse “ Sir” e foi então que ele despertou e olhou para mim. Assim que me viu entendeu que eu queria falar com ele.

Mas o nosso problema era mesmo esse – a linguagem.

Logo entendi que ele não falava português, mas sim inglês. Eu não tendo um bom domínio da língua, lá me fui entendo com ele. Ambos fazia-mos um esforço para nos comunicarmos. A minha intenção era ajuda-lo, a dele era entender o que eu queria !

Não demoramos muito a compreender-mo-nos. Entre gestos e palavras disse-lhe que voltava já. Então voltei a casa e falei com a minha esposa, colocando-lhe a par da situação. Não tivemos qualquer dúvida, era preciso ajuda-lo! Então levei-lhe uma sopa quente e mais algumas coisas para ele comer… eu não sabia do que ele gostava, mas fiquei a saber que ele era vegetariano, ainda assim agradeceu-me imenso e fomos conversando. Claro na medida do possível. Era um homem muito culto, a sua profissão era engenharia de indústria na Irlanda, de onde ele mesmo era natural, mas a vida trouxe-o para a rua. Perguntei-lhe de que é que ele vivia. Ele disse-me que vivia da providência. Logo aí o meu coração estremeceu. Vi que não estava diante de um homem qualquer mas sim de um homem de Deus. Ele era católico. Disse-me que muitas vezes ia dormir à capelinha e que rezava o terço todos os dias…

Não tive problemas em estar sentando ao pé dele, mesmo no estado em que se encontrava. As pessoas que passava na rua olhavam para nós com um ar de desprezo ali sentados perto do contentor do lixo. Mas eu não quis saber! Sentia o desejo de falar com ele e assim entender o que ele sentia. Coloquei-me um pouco no lugar dele e entendi que a vida não foi fácil. Ele também me disse que todo aquele álcool que ele bebia, servia para ele se sentir quente durante a noite, a fim de não ter frio. Entretanto quando voltei para casa compadecido, esta situação fez-me dar mais valor ao conforto do nosso lar e a muitas outras coisas..

Que nos adianta subir aos palcos e dizer “vamos ajudar, vamos dar!” se depois não o fazemos. Basta agirmos, há muita coisa a fazer . Não podemos perder mais tempo. Ser caridoso não exige dinheiro, pede-nos apenas amor pelo próximo.

Paulo Serapicos

Colaborador da Comunidade Canção Nova de Portugal

Discussion - 2 Comments

  • Maria Alcide Lopes Malhó Mar 30, 2012 

    nós temos esta responsabilidade, mas a verdade, falta muitas vezes a chama de Jesus Cristo. e o irmão teve essa chama parbens

  • Telma Abr 23, 2012 

    Paulo :)))),
    Parabéns pelo artigo, gostei muito do teu testemunho. Um testemunho como este dá que pensar e faz-nos pensar naquilo que muitas vezes não fazemos: ajudar o outro quando mais precisa.

    Um abraço amigo

    TF

leave a comment